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A transmissão da língua na família e nas classes
Celso Alvarez Cáccamo
[22 de Março de 2004]
[Publicado no Portal Galego da Língua]


Se, como se descreveu num texto anterior ( "'Osmose' e redes sociais na transmissão da língua': O papel dos locais sociais" ) a língua é um recurso (cultural, simbólico, material) que se transmite e circula por redes sociais, a pergunta básica é como abordarmos a sua transmissão nas redes centrais na organização do corpo social: a família. A família é a estrutura que reproduz (em vários sentidos da palavra) a hierarquia. As sequelas da família como experiência duram toda a vida, até gerações: arrastamos os cadáveres familiares como os povos arrastam a sua história. Nações inteiras arrastam o seu cadáver, até que o fedor pesa de mais e uns iluminados cortam o saco vitelino dos mortos e nasce algo novo. Quisera poder dizer que a transmissão da língua galega portuguesa que no nosso país está a perder o apelido é algo crucial para a emancipação social. Mas provavelmente não o seja. A transmissão intergeracional da língua, e a sua necessária revolução formal, são simplesmente sintomas de resistência. Quando um colectivo é incapaz de levar adiante o seu ideal, algo substancial fracassa. Não é obrigatório que essa utopia seja assumida por todos ao começo: pode-se construir nação dentro da nación, língua dentro da lengua e da lingua, e resistir confiando que os cépticos que ficaram fora escolham esta opção como a menos má para a sua pervivência. Mas, como fazer isto, desde que âmbitos, com que tácticas sociais, com que discursos? Eis a múltipla pergunta que nenhum activismo linguístico da Galiza aborda na altura, provavelmente porque não sabe como.

Ignoro muito sobre a estrutura social da Galiza e sobre a própria estrutura da família como para oferecer, até para mim próprio, qualquer dica plausível sobre essas perguntas. Mas alguns fáceis razoamentos sobre as relações entre língua e sociedade, e algumas fáceis metáforas, podem ajudar a compreender a situação.

Nas sociedades de classes, a língua é sempre um instrumento para o que se deu em chamar "avanço social". O "avanço social" consiste simplesmente na mobilidade social ascendente, que se dá quando, na hierárquica geometria da sociedade, um próprio ou, sobretudo, os seus filhos, chegam a alcançar uma situação "mais alta" em termos de recursos económicos, capacidade aquisitiva, reconhecimento social e símbolos de estátus. Estes recursos (dinheiro e símbolos) são de distinta natureza e circulam de maneiras distintas, mas no circuíto de mercado -explica Pierre Bourdieu- são até certo ponto formas intercambiáveis de capital: eu exibo língua (uma língua dada), e obtenho posição social. Como, exactamente? Uma via é através do valor de troco específico da Língua (reflectido, por exemplo, em títulos académicos de valor estandardizado) em certos âmbitos ocupacionais (ensino, burocracia, serviços de tradução, "indústrias da língua", etc.). Outra via muito importante é através do reconhecimento dos outros, em redes específicas, da minha exibição de Língua como símbolo legítimo, e, portanto, através da abertura de possibilidades de trabalho, casamentos "ascendentes", etc.

É lugar comum dizer que, na Galiza, a aculturação e assimilação à língua espanhola (que chamarei La Lengua para não confundir-nos) têm funcionado segundo esta lógica desde, polo menos, começos do século XIX: a perda de falantes de galego explica-se comumente como um processo polo qual La Lengua foi "descendo" desde as capas altas (burguesia - classes meias - classes trabalhadoras), que tentavam emular e aproximar-se das superiores. Mas esta explicação não pode dar conta de tudo do que está a acontecer. Como pode "baixar" socialmente uma língua desenhada para subir? Acho que algo falha ou algo falhou ao longo do processo, e tentarei expor por quê.

Distingamos, em primeiro lugar, os âmbitos rural e urbano. No âmbito rural, relativamente imóvel e estável durante séculos em termos de sistemas ocupacionais e de relações entre as estruturas sociais básicas (família e paróquia), o uso do galego era exclusivo ou muito dominante nas redes sociais densas (muitas pessoas interligadas por contactos frequentes), fechadas (sem novas incorporações habituais à rede) e multiplex (ligações estabelecidas em função de múltiplos tipos de relação social). Assim, o indivíduo A relacionava-se com B em galego porque eram simultaneamente membros da mesma família, do mesmo grupo de trabalho na exploração rural, da mesma paróquia. As fortes funções relacionais da língua no seio da família transferiam-se assim às redes do trabalho ou da paróquia. O objectivo do ascenso social limitava-se a melhorar as condições económicas de geração em geração, a enviar algum filho ao exército ou ao sacerdócio, ou a emigrar. Mas não havia verdadeiramente muitas expectativas de "avanço social" a meio de uma Lengua espanhola que era materialmente estrangeira e, além de uns poucos usos rituais, materialmente desconhecida.

Com a urbanização (desruralização), porém, vão-se modificar substancialmente as funções relacionais do galego e da Lengua espanhola. Na cidade interage-se sobretudo em redes abertas pouco densas (contactos mais ocasionais) e simplex (relacionamo-nos com alguém em função de apenas um tipo de papel social: amigo/a-amigo/a, empregado/a-chefe/a, etc.). E a língua neutra por excelência para estas redes urbanas é o espanhol. A emigração à cidade significa a possibilidade de "avanço social". E para avançar não só há que falar espanhol, mas, sobretudo, há que falar espanhol aos filhos, na esperança, tipicamente, de que os varões consigam um trabalho melhor e de que as mulheres "casem bem" (em inglês diz-se "casar para acima", to marry up), quer dizer, casem com um membro dum estrato superior que já fala espanhol (é reconhecido o papel mais avançado das mulheres na mudança sociolinguística, até para -evidentemente- a assimilação à língua dominante). Portanto, para estes propósitos, no novo âmbito urbano pode-se manter em galego a comunicação "horizontal" entre pai e mãe, mas a comunicação "vertical" entre pais e filhos deve ser em espanhol para estes adquirirem os recursos dos quais os primeiros carecem.

Ora bem, se este mecanismo de ascenso e selecção social funcionasse na Galiza (se La Lengua tivesse sido e fosse um instrumento para o "avanço social" ascendente), realmente não se estaria a dar a situação actual, com tal penetração maciça do espanhol nos estratos baixos. É paradoxal que uma língua dominante "baixe" quando a sua função social é facilitar que a gente "suba". Tentarei de expor uma explicação possível a este aparente paradoxo.

Numa sociedade galega com mobilidade social real, idealmente, se a maior parte dum estrato ou classe galego-falante inicial educasse os seus filhos em espanhol para emular as classes urbanas superiores e para permitir os seus filhos se relacionarem em (fictícia) igualdade com elas, é de imaginar que muitos destes filhos ascenderiam socialmente: obteriam trabalhos melhores, ou "casariam bem". Agora as classes meias, já espanhol-falantes, seriam algo mais largas. Mas como a mobilidade social continua "para acima", os estratos superiores das classes meias espanhol-falantes também ascenderiam. Quanto mais arriba, mais acumulação de capital (de vários tipos) se dá, mas não mais Lengua. Assim, o resultado da função mobilizadora ascendente do espanhol poderia ser uma ligeira ampliação das capas meias espanhol-falantes, mas não uma acentuada penetração da Lengua para "abaixo", pois o grosso dos falantes desta língua (La Lengua) estariam de cada vez mais "arriba".

Continuando com a idealização, uma minoria das classes trabalhadoras assimiladas ao espanhol não ascenderiam, claro, e manteriam o estátus dos seus pais, mas falariam já espanhol. Mas o influxo galego-falante do campo à cidade deveria manter em proporções mais ou menos constantes a distribuição das línguas no seio destas classes trabalhadores: majoritariamente galego-falantes. (Além, não todo mundo se assimila: continuaria e continua a haver galego-falantes que transmitem o galego na família). Porém, evidentemente a distribuição estável por classes não é o caso actual: não há nem manutenção da língua nas classes trabalhadoras, mas perda gradual. No âmbito urbano, o uso do galego com os filhos é terrivelmente minoritário em todas as classes sociais. Mesmo entre os pais, as cifras de galego-falantes são muito baixas.

Portanto, por que não se dá a situação típica de função da Lengua para o ascenso social? Será porque as classes meias assimiladas e já espanhol-falantes "descem" de estátus de geração em geração? Ou será, antes, porque, apesar da tentativa de ascenso através do idioma, as classes originariamente galego-falantes que se assimilam simplesmente não ascendem? Os pais educam os seus filhos em espanhol para lhes fazer a vida social mais fácil. Mesmo quando a língua da casa é o galego-português, a vida na escola, claro, faz com que os meninhos adquiram o espanhol como língua de relação com seu grupo geracional. Mas os filhos, relativamente falando, afinal não ascendem socialmente. Alguns poderão ter, em termos absolutos, mais recursos e uma vida mais cómoda do que os pais. Mas, como grupo, vão ocupar o mesmo lugar social subalterno relativo e ocupações comparáveis às das gerações passadas. Não "baixa" o espanhol não: deixam de "subir" os novos espanhol-falantes! La Lengua prometida oferece-nos um famoso provérbio que resume cruamente esta situação: Aunque la mona se vista de seda, mona se queda. Esta miragem de falso ascenso social através do idioma reproduz-se em todos os níveis. E os poucos galego-falantes que ainda mantendo o idioma ascendem, não fazem massa suficiente como para se constituir em pontos de referência social para a emulação de condutas por parte dos que permanecem em estratos inferiores: a experiência dos galegófonos "com sucesso" também é excepcional, não paradigmática dum processo social.

Portanto, a causa primeira da perda acelerada do idioma na Galiza não é o próprio mecanismo nocivo e universal de selecção social a meio do idioma: é a falta de mobilidade social real, de dinamismo económico (e disto há dados macro-económicos evidentes), até dentro da lógica capitalista. A lógica capitalista na Galiza leva décadas, se não um par de séculos, a jogar com o famoso fraude comercial da "pirâmide" a grande escala: oferece socialmente investir em Lengua prometendo o ascenso, mas os que ascendem já tinham Lengua e posição alta de antemão.

Em contraste, em qualquer sociedade verdadeiramente "de mercado" onde existe dinamismo, grupos sociais definidos e coeridos por cultura, origem e/ou língua podem chegar a construir o que se chamam sistemas ocupacionais próprios: redes económicas, comerciais, empresariais levadas por membros do grupo, com reprodução da divisão vertical do trabalho, com elites ou proto-elites, com hierarquias sociais internas (como de facto ainda se dá no âmbito rural), com alianças comprometidas entre elas, e portanto com potenciais económicos que se estendem além das fronteiras da "minoria". São estes grupos que podem ameaçar as "essências nacionais" dominantes, porque os estratos inferiores não precisam emular as condutas das elites da cultura hegemónica: já têm as próprias. Em certas zonas dos Estados Unidos, por exemplo, a língua espanhola chegou nos últimos anos a constituir-se em "ameaça" para a anglofonia dominante (até o ponto de se promulgarem leis restritivas tipo English Only) só quando os hispanos imigrantes e filhos de imigrantes (e descendentes de populações hispano-mexicanas originarias antes da anexação polos EUA) chegaram a constituir, com os instrumentos da sociedade de mercado, sistemas ocupacionais próprios coeridos pola origem, cultura e língua comuns. Não me refiro ao caso (também excepcional) do Miami dos cubanos exilados ou auto-exilados, mas ao de cidades como San Antonio, em Texas. Por contra, mencione-se na Galiza algum sector económico (além da indústria editorial e editorial) onde a língua de relação seja o galego-português, onde trabalhem majoritariamente galego-falantes, onde se dê "lealdade" em termos de alianças económicas endógenas , e onde tanto a força de trabalho como a do capital falem em galego e falem aos seus filhos em galego. Mencione-se algum fragmento de cidade galega onde se poda dizer que, económica e socialmente, isso é a Galiza, não España. Compostela, tal vez? E essa é Galiza, ou "Galicia"?

Em resumo, sem sistemas ocupacionais próprios galegófonos, lusófonos, onde as gentes trabalhem, sejam contratadas e se relacionem em função de relações próximas, familiares, de vizinhança, etc., e que funcionem com capital "galego" e identificação "galega", as poucas experiências das empresas "galeguistas" (as que se apresentam "graficamente" como tais) ficarão em ilhas folclóricas que emitem as facturas em dialecto, sim, mas nas quais a língua que continuará a ser um vínculo e um recurso é La Lengua. E essa é na prática a língua nacional (la lengua nacional, evidentemente), não o totem idealizado e ideologizado do Galego.

Qual a tarefa, então? A tarefa é expandir essas redes urbanas de classes meias (comerciais, pequeno-burguesas) lusófonas, quer dizer, abrir uma cunha social ascendente que, como a famosa faixa central da "língua sande" que é o catalão (comprimido tradicionalmente entre duas talhadas de pão espanhol: uma, a alta burguesia e aristocracia urbanas hispanófilas, e outra as classes trabalhadoras imigrantes), sirva de ponto de referência para o avanço social. Não são as Zaras as que fazem país, mesmo se fossem galego-falantes: é o famoso tecido social e económico urbano. Estamos (se estamos!) polo menos vinte anos por detrás de países como Catalunha nesta tarefa. E é duvidoso que a Galiza poda fazê-lo com a força económica própria, sem relacionamento efectivo transfronteiriço com as redes económicas lusófonas onde a língua (quer dizer, agora sim A Língua) sim que funciona -dentro da aborrecível lógica que faz as nações- como instrumento para o "avanço social": Portugal.

Em definitivo, é o âmbito da família, como principal canal de transmissão intergeracional da língua, que o activismo linguístico lusófono deve abordar com uma seriedade que até agora está ausente. Mas tentei dizer que a "família" é sobretudo um agregado primitivo de corpos cinzelados para o trabalho assalariado: uma fábrica que fabrica operários a base de Cola-Cao. E a "família" falará a Língua que lhe prometa, eleitoralmente (nacionalmente), o pão para os filhos.
A transmissão da língua na família e nas classes
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Lingua de amor
"Lingua de Amor é o novo proxecto do Consello da Xuventude de Galicia que nace co fin de normalizar e dinamizar a lingua e a cultura galegas."

http://www.linguadeamor.eu
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Os nenos bilingües constrúen antes que os monolingües frases máis longas e complexas
"Investigadores da USC adaptaron ao galego as escalas MacArthur-Bates para avaliar as destrezas comunicativas e lingüísticas dos máis pequenos"

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Os nenos bilingües constrúen antes que os monolingües frases máis longas e complexas
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Carta á aldea
Xoán Vázquez Sanlés
Mércores, 28 de marzo do 2007

Camiñar polas corredoiras que van gabeando as aldeas incrustadas na faldra da montaña, subirse a un dos mil outeiros que a acompañan, onde para soñar só abonde con abri-los ollos e mirar de fronte a esa inmensidade que se esvaece na infindade do horizonte. Envorca-la alma sopre a parroquia, e deixar que esta decida cando regresala ó outeiro e a corredoira, comungar ca xente e coa historia; non a dos libros feitos por outros que estercaban ás escolas, a que quedou labrada nas pedras polos ferros das rodas, a mesma do asubiar dos eixes; a nosa. Quen nunca tal experiencia tiver, non sabe o que é unha aldea. E, a risco de incorrer na insolencia, quen no saiba o que unha aldea, pouco sabe da nosa terra.

Difícil é, nos días que corren, manter como referente da mesma esencia á parroquia, que no seu significado máis puro e máis noso significa aldea. Xuño é a miña. Foi ?é -, a aldea, garda fonte e adega das esperanzas máis perennes, as máis recorrentes, as máis enxebres, para tantas e tantas xeracións. Para algúns de nós, lugar predilecto para agachar un poema, un lamento, e aínda ?con perdón - unha oración.

Na aldea, de seu, todo xurde e nace na normalidade natural do espontáneo, ó artesán abrigo das antergas sabedorías que configuran unha vida moito máis grande cós anacos de cada día, cós preceptos de cada lei..., cós artigos de cada autonomía. É alí onde a palabra país significa o de aquí, o do lugar..., o da terra; onde o mundo somos nós.

É na aldea onde as voces se oen e distinguen, unha por unha, e os ruídos pacientemente aceptan os seus turnos na constante das harmonías. Amáinanse as voces dos veciños para darlle augue ás dos grilos, mesturan estes o seu canto co marmullo dos ríos, o asubío do vento coa chamada de retirada que o corvo grita alá arriba, séntense escachar as piñas que ceiban ós piñóns aspirantes de semente, vixiados polo inquedo ollar do esquío que lle auguran outros destinos, namentres a lagarteira segue na súa parsimonia, e a noitebra, paseniñamente, no axexar da fuxida da derradeira luz do día, agardando o seu momento de sumarse á sinfonía. Pero é na primavera cando a aldea máis se pronuncia e máis se afirma. Aínda non chegaron os turistas de verán; aínda os taberneiros saúdan e falan coa espontánea fachendosa gallardía de toda a vida; aínda no pasar de cada coche se adiviña compañía. Aínda son todos os que están. É aí, na primavera, onde tódalas comparanzas andan fuxidas, cando a alma da aldea amosa a súa indiferencia a tódalas outras maneiras de entende-la vida. Ese lugar no mundo, na conciencia e no espírito, para min chamase O Zapatal, na parroquia de Santa Mariña de Xuño, nas inmanentes ladeiras do Barbanza.

É na primavera cando as lembranzas agroman e florecen, adubadas por novas e frescas perspectivas. Nesa primavera que aquí, en Nova Jersey, a diferencia da Galicia barbanzá abrazada por dúas rías, acostuma chegar un pouco tarde; non sendo súa a culpa de tal tardía. Á terra cústalle desprenderse das últimas neves, mesmo, non se pode falar de derradeiras ata xa chegado o abril. Pero a primavera, o que vir, ven, aí están os narcisos. Vinlle as súas cabeciñas verdes furando na neve, agardando polo preciso momento de transformarse en megáfonos amarelos para anunciala con alegría. Sempre atopei fiables a estes senlleiros mensaxeiros desafiantes dos xélidos febreiros. Aí, en Xuño, xa floreceron as cerdeiras, ameixeiras e claudieiras, os pexegueiros vanlle detrás, e á carreira súmanselle as pereiras e as maceiras de Santa Mariña, repinaldos e tabardillas. Xa o centeo se prepara para espigar. Córrelle présa. É a primeira das colleitas do ano, única da primavera. Apañase a finais de maio (nos primeiros de xuño os máis tardíos), ceibando as terras para as milleiras do restrebo e así sacarlle dúas colleitas. As patacas, de cedo, nos lugares menos proclives a se anegar polas derradeiras chuvias invernais, xa amosan seu verdear, e nos outros máis húmidos lugares, axiña as han sementar. Xa desovaron as troitas nas nutridas augas transparentes do enxebre río Sieira. Abre a veda. Os troiteiros preparan as canas, vimbias as dos que máis saben. A miña, que foi das máis informadas, esquecida de tanto esperar, resignouse e ha descansar. Non hai mellor lugar para soñar ca unha cana río arriba, enxergando as ladeiras de xestas recen floridas, onde en efluvios de mil cores as flores se fan poesía, escoitar o marmullo das fontes na plenitude da súa sinfonía, ó abrigo das carballeiras, onde a rula e mailo merlo acochan os seus niños e a creación debulla as dúbidas na milagre das xermoliños que medran afanosos para abrigar ós pío píos. Todo é fresco todo é flor todo é novo e todo é vida na primavera barbanzá, ata as algas mariñeiras espertan da marusía para sumarse ó florear. Todo, agás a melancolía. Pero á melancolía, sobria e madura nai das emocións máis validas, séntelle ben ir de vello.

Xa ves como nunca fuches esquecida. E pensar, querida parroquia, aldea miña, que aínda hai quen se atreve a dicirme que a min, aí, xa non me queda nada a que ir. Que pouco saben de min; mais, sen iso ser sorpresa, e mesmo culpa miña, si me asombra o pouco que saben de ti.


Xoán Vázquez Sanlés escrebe dende Newark, USA
Carta á aldea
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Aleixandre representa a Galiza no cumio de poetas fronteirizos
"Eu teño varias identidades e, neste momento, a miña identidade é a galega, porque a lingua é a expresión dunha cultura e o galego é a expresión desa cultura. Aínda que vivise no mesmo sitio, fixese as mesmas cousas e escribise o que escribo, en castelán sería diferente"

" A Marilar Aleixandre resúltalle difícil explicar por que escribe en galego. Foi, asegura, "un compoñente irracional". Sempre estivera comprometida coa esquerda e os valores democráticos e ao establecerse en Galicia, pareceulle lóxico "falar a lingua do país". Subliña que non é un caso único: antes dela fixérono María Vitoria Moreno ou Úrsula Heinze. Na opción tamén hai vertente afectiva pois ela está convencida, como o poeta balear Miguel Mesquida, de que a lingua é a que escolle o escritor e non o escritor a lingua. Hai outros compoñentes, claro: "sinto un acto de amor pola lingua e non obvio que polo medio hai xente. Vivo cunha persoa que fala galego e os meus amigos tamén o falan. Ser parte dunha cultura conleva isto". "

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Aleixandre representa a Galiza no cumio de poetas fronteirizos
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O bilingüismo mellora a atención
"As persoas que dominan dúas linguas teñen vantaxes cognitivas nas actividades que esixen concentración"

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El bilingüismo mejora la atención
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Fronteiras
"repasa as diferencias que existen entre os límites administrativos de Galicia e os sociolingüísticos. Sen chegar a tomar partido sobre a galeguidade dos territorios asturianos, leoneses ou portugueses que arrodean a fronteira autonómica, a película reflexiona sobre como a lingua e a cultura son alleas ás divisións políticas e sobre como un concepto tan difuso como a identidade se estende a través delas." As "Fronteiras" da identidade

UN DOCUMENTAL NOS LÍMITES DA IDENTIDADE (GALEGA)
http://fronteiras.blog.com

Comentarios (1) - Categoría: normalización lingüística - Publicado o 08-11-2007 11:14
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¿Que quere Galicia de Portugal?
SUSO DE TORO

E que Portugal de Galicia. Dúas preguntas que nunca se fan, pero que explican as protestas porque vaia a Estremadura e non a Vigo un organismo de cooperación transfronteriza ou cando se nos nega o tren rápido a Porto. Portugal e Galicia mantemos relacións á galega: si pero non. E por confusas son frustrantes.

Portugal e España teñen nacionalismos de Estado moi ríxidos, e Galicia está encerrada do modo máis ridículo dentro do nacionalismo español. Así, se lle preguntan a un galego por "o sur" inmediatamente pensa en Andalucía. E é verdade que ese é tamén o noso sur, sobre todo porque é o imaxinario que nos meteu na cabeza a escola e hoxe os medios de comunicación, os discursos políticos...Vivimos encerrados nesa ideoloxía a despeito da realidade física, a que reflicten os mapas: ao sur está Portugal. Evidencia que negamos na práctica na vida diaria. Un galego pensa "vou comprar mobles a Ikea" e vaise a Madrid, ou a Xixón, tendo a mesma tenda máis preto, en Porto. Na nosa imaxinación segue habendo aduanas, garda civís e guardinhas. O noso pensamento é reaccionario, vive case trinta anos atrasado: xa non hai fronteiras, nin pesetas e escudos senón euros, non hai dous espazos senón un e a raia que separa as manchas non existe. Pero a nosa imaxinación segue sendo nacionalista e non entrou aínda na Unión Europea.

¿Actuamos ignorando a Portugal porque temos a imaxinación colonizada por ese nacionalismo español? Si. Pero tamén o explican as relacións de poder, o máis forte, o máis rico sempre se coloca por encima do máis débil ou máis pobre. Portugal sempre estivo económicamente por detrás de España, e así, os galegos, malia estar postergados en España en case todo, puidéronse e pódense sentir por encima dos portugueses. Reconozcámoslo: nos place sentirnos superiores, máis ricos, máis modernos que os nosos veciños. Non por iso somos peores que os demais, as relacións de poder é a Física da vida: no aula manda o máis listo e no patio da escola o máis abusón e ata o máis pobre ten a alguén ante o que se sente superior. Os galegos somos os penúltimos dos españois, pero miramos por encima do ombreiro aos portugueses, grazas a que non temos memoria e á nosa ignorancia.

Grazas a que non temos memoria, porque o atraso económico portugués non é tan distinto do noso, só lles levamos uns anos de adianto no atraso: ao atravesar a fronteira viamos o pasado das nosas familias, eramos nós quince ou vinte anos antes. E iso é moi incómodo. Tamén esquecemos como nos viron sempre os demais: o novelista e diplomático Palacio Valdés dicíalle a un portugués, "crense vostedes ingleses e non son máis que galegos". Queda a dilucidar se ese racismo xenófobo é máis cruel cos galegos que cos portugueses, pero evidencia ese lazo que é evidente que nos resulta incómodo e que uns e outros ocultamos. Pero, ninguén o dubide, se Portugal tivese a riqueza, poder, prestixio de Francia aquí todo quisque falaría portugués con sotaque lisboeta. ¡Galego o último!

E ignoramos a Portugal tamén por ignorancia: a da nosa historia. Un continuo histórico que, con loitas dinásticas por medio, chegou ata o século XV en que Galicia, a Galiza, "domada e castrada", quedou uncida a unha coroa radicada no centro peninsular. Aínda así compartimos un espazo lingüístico. Os portugueses mozarabizaron a lingua falándoa ao modo do sur peninsular, lingüísticamente son os nosos andaluces, dando lugar á mesma paradoja dun santanderino en Cádiz: custa entendelos. Pero as nosas palabras, levadas por eles polo mundo, recoñecémolas fácilmente nesa potencia en marcha que é Brasil, alí florece o galego, e sorprende idéntica fala en Angola e Mozambique. Só un país tolo desprezaría esa riqueza, ese patrimonio lingüístico. Galicia faino. Pola súa ignorancia e prejuicios, por unha ideoloxía nacionalista dun Estado uniformizador e centralista.

A única saída de Galicia é aceptar o mapa, a realidade e construír a nosa eurorregión, levantada sobre o reencuentro sen prejuicios. E se non é así, non nos queixemos tanto pois temos o que merecemos. Estremadura non ten vergonza nin complexo en aprender a falar portugués: merecen ser sé dese organismo transfronterizo. É triste, pero nós non. A merecelo.
¿Qué quiere Galicia de Portugal?
Comentarios (1) - Categoría: autoodio/autoestima - Publicado o 08-11-2007 11:01
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O odio aos idiomas
MIGUEL ANXO FERNÁN VELLO

Referíame eu onte neste Caderno a esa caste de odio, para min difícil de entender por vía racional, que existe cara a un idioma determinado, dito así en singular, ou simplemente cara a outros idiomas, considerados molestos, insignificantes ou inferiores. Unamuno ?defensor do catalán como ?la lengua doméstica para hablar en casa?? expresou no seu día que ?si el Estado no impusiera el castellano en toda España, los dialectos se impondrían al castellano?, e Baroja, anticatalán de pura cepa e un bocado racista, escribiu en 1907 o seguinte: ?Los catalanes han tenido la habilidad de lanzar el sambenito de judíos a los demás españoles, cuando precisamente los judíos son ellos. (...) El aspecto, las aptitudes, la clase de arte que se hace en Cataluña; todo tiene carácter marcadamente semita?. E tamén Julio Camba quixo deixar clara a súa posición nun artigo de 1917, despois de dicir que ?a todos los españoles suele indignarnos mucho el que los catalanes hablen catalán?: ?El catalán, por razón de su acento, está incapacitado para la mayoría de las cosas en cuanto sale de Cataluña?. Xulguen vostedes. Acabo de ler precisamente un pequeno ensaio-conferencia do historiador catalán Josep M. Batista i Roca titulado La formació històrica de l´Estat espanyol e nese interesante texto atopo unha cita de Diego García de Campos, chanceler de Castilla (Alfonso VIII), que data do ano 1180 e que constitúe unha sorte de ?descrición psicolóxica? dos diversos pobos que forman a península. E di Diego García, autor en latín clásico, respecto a nós: ?Os galegos sobresaen pola súa fala?. Pois ben, esa fala, ese idioma, que chegou a hoxe e que foi quen de crear, através dunha longa corrente de autores, unha importante literatura, segue a ser obxecto de odio. Vexan aí senón ese colectivo de pais e profesores que se autodenomina Por la conciliación lingüística e que nace, tomo as palabras xustas de Rafa Villar, ?para abortar calquera avanzo do proceso de normalización da lingua no ensino?. O odio etnocida continúa.
O odio aos idiomas
Comentarios (2) - Categoría: normalización lingüística - Publicado o 07-11-2007 22:13
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Xosé Lois
Comentarios (1) - Categoría: nacionalismo galego - Publicado o 07-11-2007 22:05
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© by Abertal

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